CAÍSSA

Lúcida flor da Trácia, esquiva e bela,

és sedução, és êxtase e agonia:

seiva de que se nutre a fantasia,

sombra anunciadora da procela.

 

Em tua essência pronta se revela

o amargo sonho, a glória fugidia

e essa esperança vã de que algum dia

possa brilhar mais alto a nossa estrela.

 

E tu, serena esfinge, indiferente

à pequenez dos nossos desagravos,

revela-nos co’o teu sorriso ausente

 

que no jogo dos reis – eis a verdade –

nós não passamos de ínfimos escravos

ante o clarão de tu majestade.

 

      HÉLDER CÂMARA, SP, out/2003.