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Método criado pelo professor Ayrton Paulino Marques onde se aprende tabuada ampliada com memória zero.

 

Deve-se saber na ponta da língua a tabuada simples:

 

2 x 2 =  4

2 x 3 =  6    3 x 3 =  9

2 x 4 =  8    3 x 4 = 12   4 x 4 = 16

2 x 5 = 16    3 x 5 = 15  4 x 5 = 20   5 x 5 = 25

2 x 6 = 12    3 x 6 = 18  4 x 6 = 24   5 x 6 = 30  6 x 6 = 36

2 x 7 = 14    3 x 7 = 21  4 x 7 = 28   5 x 7 = 35  6 x 7 = 42   7 x 7 = 49

2 x 8 = 16    3 x 8 = 24  4 x 8 = 32   5 x 8 = 40  6 x 8 = 48   7 x 8 = 56  8 x 8 = 64

2 x 9 = 18    3 x 9 = 27  4 x 9 = 36   5 x 9 = 45  6 x 9 = 54   7 x 9 = 63  8 x 9 = 72   9 x 9 = 81

 

Com o novo método do professor Ayrton você dominará a tabuada 2 x 1 = 2 até 19 x 9 = 171.

 

TABUADA DO 9 (simples e ampliada)

 

Basta usar os dez dedos como calculadora.·.

 

Tabuada simples do 9. Explicação prática com exemplos:

9 x 7             Basta abaixar o sétimo dedo (contagem da esquerda para a direita) = ficam seis dedos para a esquerda e três para a direita. Então, 9 x 7 = 63

9 X 8            Abaixar o oitavo dedo. Sete dedos para a esquerda e dois dedos para a direita = 72.

 

Conclusão: tabuada do 9 resolvida com a calculadora prática (os dez dedos da mão).

 

Tabuada ampliada do 9. Explicação prática com exemplos:

 

12 x 9      Abaixar o segundo dedo (2 de doze). Um dedo à esquerda, zero dedos no dedo abaixado e oito dedos à direita. Então, 12 x 9 = 108.

 

14 x 9      Abaixar o quarto dedo. Três dedos à esquerda. Separar estes dedos → um dedo + dois dedos = 12. 6 dedos à direita = 126. Então, 12 x 4 = 126.

 

Nota: Ao separar os dedos da esquerda sempre começará com um dedo.

 

17 x 9 = 153.  Veja: Abaixar o sétimo dedo. Ficamos com seis dedos à esquerda, ou seja, 1 + 5. 3 dedos à direita. Logo, 17 x 9 = 153.

 

Conclusão: Ficam resolvidos os produtos:

12 x 9, 13 x 9, 14 x 9, 15 x 9, 16 x 9, 17 x 9, 18 x 9 e 19 x 9.

 

 Lei do Equilíbrio:

 

Essa lei deve estar sempre presente na tabuada ampliada. Bem simples e prática. Podemos dividir qualquer fator por 2 e para equilibrar multiplicar o outro por 2.

 

Exemplo: 16 x 4 = 8 x 8 (Dividimos 16 por 2 e multiplicamos o 4 por 2, ou seja 16/2 = 8 e 4 x 2 = 8). Caímos na tabuada simples.

 

18 x 6        18/2 = 9 e 6 x 2 = 12. Logo, 18 x 6 = 12 x 9.

Caímos na tabuada do 9. 12 x 9 = 108 (Cálculo com os dedos).

 

TABUADA DO 18

 

Como 18 = 2 x 9, vamos cair sempre na tabuada do 9.

 

Veja: 18 x 7 = 9 x 14 = 126. Então, a tabuada do 18 está completamente resolvida.

 

TABUADA DO 5

 

Multiplicar por 5 é bem fácil. Basta dividir o número por 2 e multiplicar por 10.

 

Exemplos:        

12 x 5        12 / 2 = 6,           logo: 12 x 5 = 60

13 x 5        13 / 2 = 7,5        logo: 13 X 5 = 75

 

Conclusão: A tabuada do 5 está completamente resolvida.

 

TABUADA DO 15

 

Multiplicar por 15 é bem fácil. Consideramos o número, somamos com a sua metade e multiplicamos por 10.

 

Exemplos:        

15 x 6        6 / 2 = 3,             6 + 3 = 9                 logo: 15 x 6 =  90

 

15 x 7        7 / 2 = 3,5           7+ 3,5 = 10,5      logo: 15 x 7 = 105

 

Conclusão: A tabuada do 15 está completamente resolvida.

 

TABUADA DO 19

 

Veja:    20 – 1 = 19. Então, toda tabuada do 19 cai em [20 – 1].

 

Exemplos:        

19 x 7 =     (20-1) x 7 =         140 – 7 = 133.

19 x 4 =     (20-1) x 4 =            80 – 4 =  76.

 

Basta multiplicar o número por 20 e tirar o próprio número.

 

Nota: Como 19 = 2 x 9,5, pode-se também (depende de um pouco de prática) cair na tabuada do 9 e resolvê-la com os dedos.

 

Exemplos:         19 x 6 =     6 x 9,5 x 2 = 12 x 9,5 = 12 x 9 + 12 x 0,5 = 108 + 6 = 114.

 

Fizemos o dobro de 6 que é igual a 12. E 12 x 9 + 12 x ,5 (sua metade).

 

Conclusão: A tabuada do 19 está completamente resolvida.

 

NOSSOS RESULTADOS ATÉ O PRESENTE MOMENTO:

 

Tabuada do 15: resolvido

Tabuado do 18: resolvido

Tabuada do 19: resolvido

Onde aparecer produto com 5 ou 9: resolvidos.

 

Com a lei do equilíbrio alguns casos saem imediatos.

 

Faltam:

 Tabuadas do 12, 13, 14, 16 e 17.

 

Uma dica: produtos que envolvem o “4”, devem ser substituídos por 2 x 2.

 

Exemplo: 12 x 4 =     12 x 2 x 2 = 24 x 2 = 48.

 

Veja:          13 x 2 = 26 (IMEDIATO, pois 13 + 13 = 26). Logo,  13 x 4 = 26 x 2 = 52.

Quando for possível transformar mentalmente um produto em soma deve ser feito.

 

Exemplo: 14 x 2 =     14 + 14 = 28 (elementar).

 

Veja como se faz o dobro de um número:

17 x 2.       17 está e entre 15 e 20. O dobro de 15 é 30 e de 20 é 40. Então, 17 x 2 só pode ser maior que 30 e menor que 40. Então, faço 2 x 7 = 14. Aproveito o 4 e escrevo 34. E aí sai fácil:   17 x 4 = 2 x 34 = 34 + 34 = 68.

As tabuadas de 12, 13, 14, 16 e 17 saem com facilidade de 1 a 5.

 

Veja com exemplos:

16 x 1 = 16

16 x 2 = 32         (16 + 16)

16 x 3 = 8 x 6 = 48

16 x 4 = 8 x 8 = 64

16 x 5 = 80 (lei do 5 como produto)

 

14 x 1 = 14

14 x 2 = 28

14 x 3 = 6 x 7 = 48

14 x 4 = 8 x 7 = 56 ( ou dobro de 28)

14 x 5 = 70 (lei do 5 como produto)

 

Conclusão: Nosso problema consiste nos produtos que envolvem 6, 7 e 8.

 

12 x 6 =     13 x 6 =     14 x 6 =     16 x 6 =     17 x 6 =

12 x 7 =     13 x 7 =     14 x 7 =     16 x 7 =     17 x 7 =

12 x 8 =     13 x 8 =     14 x 8 =     16 x 8 =     17 x 8 =

 

TABUADA DO 12     

 

“Regrinha do Profº Ayrton”       Pula 1, pula 1, pula 1.

 

Explicação com exemplos:

 

12 x 6                 6 x 2 = 12           6 pula 1 = 7        72

12 x 7                 7 x 2 = 14           7 pula 1 = 8        84

12 x 8                 8 x 2 = 16           8 pula 1 = 9             96

 

 

TABUADA DO 13     

 

“Regrinha do Profº Ayrton”       Pula 1, pula 2, pula 2.

   

Explicação com exemplos:

 

13 x 6                 6 x 3 = 18           6 pula 1 =  7         78

13 x 7                 7 x 3 = 21           7 pula 2 =  9         91

13 x 8                 8 x 3 = 24           8 pula 2 = 10      104

 

 

TABUADA DO 14     

 

14 x 6 =              12 x 7        (cai na tabuada do 12)

2 x 7 = 14                   pula 1 = 84

 

[14 x 7 =   98]  “ESTE PRODUTO PRECISA SER DECORADO”

[14 x 8 = 112]  “ESTE PRODUTO PRECISA SER DECORADO”

 

 

TABUADA DO 16

 

16 x 6 =              12 x 8        (cai na tabuada do 12)

                              2 x 8 = 16                   pula 1 = 96

 

16 x 7 =              14 x 8        (cai na tabuada do 14) = 112

 

[16 x 8 = 128] “ESTE PRODUTO PRECISA SER DECORADO”

Conclusão: Com este método poderoso você terá domínio da tabuada ampliada.

2 x 1 = 2            2 x 2 = 4 ———————–    2 x 9 = 18

3 x 1 = 3            3 x 2 = 6 ———————–    3 x 9 = 27

–                           –                                                         –

–                           –                                                         –

–                           –                                                        –

12 x 1 = 12       12 x 2 = 24 ———————  12 x 9 = 108

13 x 1 = 13      13 x 2 = 26  ———————  13 x 9 = 117

–                           –                                                        –

–                           –                                                       –

–                           –                                                       –

19 x 1 = 19        19 x 2 = 38 ——————- 19 x 9 = 171

 

Nota: Há seis produtos que num primeiro passo exigem memorização. Mas com alguma habilidade mental podemos transformá-los em DOBRO DE UM NÚMERO e dispensar a MEMÓRIA.

 

 

VEJA CADA UM DELES:

 

14 x 7 =              2 x 7 x 7 =           DOBRO  DE  49 =         98

14 x 8 =              2 x 7 x 8 =           DOBRO  DE    56 =      112

16 x 8 =              2 x 8 x 8 =           DOBRO  DE   64 =       128

17 x 6 =              2 x 8,5 x 6 =       DOBRO  DE  48 + 6 =  102

17 x 7 =              2 x 8,5 x 7 =      DOBRO  DE 56 + 7 =  119

17 x 8 =              2 x 8,5 x 8 =       DOBRO  DE  64 + 8 =  136

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos

Célere ia o caixão, e, nele, inclusas,
Cinzas, caixas cranianas, cartilagens
Oriundas, como os sonhos dos selvagens,
De aberratórias abstrações abstrusas!

Nesse caixão iam, talvez as Musas,
Talvez meu Pai! Hoffmânnicas visagens
Enchiam meu encéfalo de imagens
As mais contraditórias e confusas!

A energia monística do Mundo,
À meia-noite, penetrava fundo
No meu fenomenal cérebro cheio…

Era tarde! Fazia multo frio.
Na rua apenas o caixão sombrio
Ia continuando o seu passeio!

 
Augusto dos Anjos
Quando ela passa todo mundo espia
A cara não, porque não é formosa.
Espia, sim, a bunda buliçosa,
porque em bunda nunca vi tanta magia!
 
Bunda que anseia, treme, rodopia,
Verdadeira expressão maravilhosa.
Deve ser uma bunda cor de rosa
Da cor do sol quando desponta o dia.
 
E ela que sabe ter a bunda boa,
Vai pelas ruas remexendo a toa
Deixando a multidão maravilhada.
 
E eu a comtemplo num desejo mudo,
Embora a cara não valesse nada,
Aquela bunda só – me vale tudo!
 
Autor desconhecido (supostamente Castro Alves)

Criança ingênua, o dia inteiro,
com os meus caniços de taquara,
ficava eu, ao sol de então,
junto dos tanques, no terreiro,
soprando a espuma, leve e clara,
fazendo bolhas de sabão.

Corando a roupa, entre cantigas,
as lavadeiras, que passavam,
interrompiam a canção…
Riam-se as pobres raparigas,
vendo as imagens que brilhavam,
nas minhas bolhas de sabão.

Cresci. Sofri. Sonhando vivo.
E, homem e artista, ainda agora,
me apraz aquela distração…
E fico, às vezes, pensativo,
fazendo versos, como outrora
fazia bolhas de sabão.

E velho, um dia, de repente,
sem ter, de fato, sido nada,
pois tudo é apenas ilusão,
há de extinguir-se a alma inocente
que em mim fulgura, evaporada
como uma bolha de sabão.

Martins Fontes

PALÁCIO DA VENTURA

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão – e nada mais!

Antero de Quental

Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.

Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despôjo vão,
Depus do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.

Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,

Selvas, mares, areias do deserto…
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!

Antero de Quental

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma
ou sopro ou eco ou simples percussão
atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,
em colóquio se estava dirigindo:
“O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,
mesmo afetando dar-se ou se rendendo,
e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza
sobrante a toda pérola, essa ciência
sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,
esse nexo primeiro e singular,
que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente
em que te consumiste… vê, contempla,
abre teu peito para agasalhá-lo.”

As mais soberbas pontes e edifícios,
o que nas oficinas se elabora,
o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,
os recursos da terra dominados,
e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre
ou se prolonga até nos animais
e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,
dá volta ao mundo e torna a se engolfar,
na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,
suas verdades altas mais que todos
monumentos erguidos à verdade:

e a memória dos deuses, e o solene
sentimento de morte, que floresce
no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance
e me chamou para seu reino augusto,
afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder
a tal apelo assim maravilhoso,
pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo
de ver desvanecida a treva espessa
que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas
presto e fremente não se produzissem
a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,
e como se outro ser, não mais aquele
habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade
que, já de si volúvel, se cerrava
semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;
como se um dom tardio já não fora
apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,
desdenhando colher a coisa oferta
que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara
sobre a estrada de Minas, pedregosa,
e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,
enquanto eu, avaliando o que perdera,
seguia vagaroso, de mãos pensas.

Carlos Drummond de Andrade

I
Ele era nesse tempo uma criança loira
Vivendo na abundância agreste da lavoira,
Ao vento, à chuva, ao sol, pastoreando os gados,
Deitando-se ao luar nas pedras dos eirados,
Atravessando à noite os solitários montes,
Dormindo a boa sesta ao pé das claras fontes,
Trepando aos pinheirais, às fragas, aos barrancos,
No rijo e negro pão cravando os dentes brancos,
Radioso como a aurora e bom como a alegria.
Quando no azul do céu cantava a cotovia,
Aos primeiros clarões vibrantes da alvorada
Transportava ao casebre o leite da manada,
Acordando, a assobiar e a rir pelos caminhos,
Os lebréus nos portais e as aves nos seus ninhos.
E à tarde quando o Sol, extraordinário Rubens,
Na fantasmagoria esplêndida das nuvens,
Colorista febril, lança, desfaz, derrama
O topázio, o rubi, a prata, o oiro, a chama,
Ele ia então sozinho, alegre, intemerato,
Conduzindo a beber ao trémulo regato,
A golpes de verdasca e gritos estridentes,
Num ruidoso tropel os grandes bois pacientes.
O seu olhar azul de limpidez virtuosa,
Onde brilhava a audácia heróica e valorosa,
A candura infantil e a inteligência rara,
O timbre da sua voz imperiosa e clara,
A linha do seu corpo altivamente recta,
Tudo lhe dava o ar soberbo dum atleta
Em miniatura.
II
Um dia o pai, um bravo aldeão,
Chamou-o ao pé de si, e disse-lhe:«João:
À força de trabalho e à força de canseiras,
A moirejar no monte e a levar gado às feiras,
Consegui ajuntar ao canto do baú
Alguns pintos. Vocês são dois rapazes; tu,
Além de ser mais novo, és mais inteligente.
Vou botar-te ao latim; quero fazer-te gente.
Hás-de me dar ainda um grande pregador.
Hoje padre é melhor talvez que ser doutor.
Aquilo é grande vida; é vida regalada.
Olha, sabes que mais? manda ao diabo a enxada.
Aquilo é que é vidinha! aquilo é que é descanso!
Arrecada-se a côngrua, engrola-se o ripanço,
Arranja-se um sermão aí com quatro tretas,
Vai-se escorropichando o vinho das galhetas,
E a missa seis vinténs e doze os baptizados.
Depois, independente e sem nenhuns cuidados!
Olha, João, vê tu o nosso padre-cura:
É, sem tirar nem pôr, uma cavalgadura,
Vi-o chegar aqui mais roto que os ciganos;
Pois tem feito um casão em meia dúzia d’anos.
Isto é desenganar; padres sabem-na toda…
É o sermão, é a missa, é o enterro, é a boda.
É pinga da melhor, e tudo quanto há!
Quando o abade morrer hás-de vir tu p’ra cá.
Despacha-te o doutor nas cortes; quando não
Votamos contra ele, e foi-se-lhe a eleição.
Mas que é isso, rapaz? Nada de choradeira!
É tratar da merenda, e quinta ou sexta-feira
Toca pró seminário. Eu quero ir para a cova
Só depois de te ouvir cantar a missa nova».
III
Numa tarde d’Outono, a sonolento trote
Um macho conduzia em cima do albardão,
Já coluna da Igreja, o novo sacerdote,
O muitíssimo ilustre e digno padre João.
Ao entrarem na aldeia os dois irracionais,
Dos foguetes ao grande e jubiloso estrépito
Um velho recebeu nos braços paternais,
Em vez do alegre filho, um monstro já decrépito
Que acabava de vir das jaulas clericais.
Que transfiguração! Que radical mudança!
Em lugar da inocente, angélica criança,
Voltava um chimpanzé, estúpido e bisonho,
Com o ar de quem anda alucinadamente
Preso nas espirais diabólicas dum sonho.
Seu corpo juvenil, robusto e florescente,
Vergava para o chão, exausto de cansaço:
Os dogmas são de bronze, e a lã duma batina
Já vai pesando mais que as armaduras d’aço.
A ignorância profunda, a estupidez suína,
A luxúria d’igreja, ardente, clandestina,
O remorso, o terror, o fanatismo inquieto,
Tudo isto perpassava em turbilhão confuso
Na atonia cruel daquele hediondo aspecto,
Na morna fixidez daquele olhar obtuso.
Metida nas prisões escuras de Loiola,
A sua alma infantil, não tendo luz nem ar,
Foi como os rouxinóis, que dentro da gaiola
Perdem toda a alegria e morrem sem cantar.
IV
Como ninguém ignora, os sórdidos palhaços
Compram, roubam às mães as loiras criancinhas,
Torcem-lhes o pescoço, as mãos, os pés, os braços,
Transformam-lhes num junco elástico as espinhas,
E exibem-nas depois nos palcos das barracas,
Dando saltos mortais e devorando facas
Ante o espanto imbecil da ingénua multidão;
E para lhes cobrir a lividez plangente
Costumam-lhes pintar carnavalescamente
Na face de alvaiade, um rir de vermelhão.
Também o jesuitismo hipócrita-romano,
Palhaço clerical, anda pelos caminhos
A comprar, a furtar, assim como um cigano,
As crianças às mães, os rouxinóis aos ninhos.
Vão levá-las depois ao negro seminário,
Às terríveis galés, ao sacro matadoiro,
E escondem-nas da luz, assim como o usurário
Esconde também dela os seus punhados d’oiro.
Dentro da estupidez e da superstição,
Casamata da fé, guardam-lhes a razão,
A análise, esse forte e venenoso fluido,
Que, andando em liberdade, ao mínimo descuido
Poderia estoirar com trágica explosão.
O que o palhaço faz ao corpo da criança,
Fazem-lho à alma, até que dela reste enfim,
Em lugar do histrião que nas barracas dança,
O pobre missionário, o inútil manequim,
O histrião que nos prega a bem-aventurança
A murros de missal e a roncos de latim.
As almas infantis são brandas como a neve,
São pérolas de leite em urnas virginais:
Tudo quanto se grava e quanto ali se escreve,
Cristaliza em seguida e não se apaga mais.
Desta forma, consegue o astucioso clero
Transformar, de repente, uma criança loira
Num pássaro nocturno estúpido e sincero.
É abrir-lhe na cabeça a golpes de tesoira
A marca industrial do fabricante — um zero!

Guerra Junqueiro

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EXAME NACIONAL DE ENSINO MÉDIO (ENEM)

Certificação no ENSINO MÉDIO A Portaria n° 4, Diário Oficial da União de 11 de Fevereiro de 2010, determina certificação no ENSINO MÉDIO, mediante provas do ENEM. Alunos do ENSINO MÉDIO da FUNCARC poderão participar de aulas preparatórias presenciais ou por meio de vídeos-aula. R$ 20,00 mensais.

Alunos concluintes do ENSINO MÉDIO para bolsa no ProUni.

Os alunos concluintes da FUNCARC, mediante pagamento mensal de R$ 20,00, terão acesso por meio de vídeos-aula ao conteúdo programático do ENEM, EXAME NACIONAL DE ENSINO MÉDIO.

O ENEM, estruturado nos conceitos da atual LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional é aguda ferramenta avaliativa. Criada há 12 anos, tem como principal objetivo à avaliação das habilidades e competências dos alunos. As provas são contextualizadas e interdisciplinares, exigindo raciocínio, vivências e maneiras peculiares na solução das questões. Enfatiza-se a formação do aluno em declínio da pura informação. Número superior a 600 INSTITUIÇÕES DO ENSINO SUPERIOR (IES) aplica o ENEM em seus vestibulares e complementação de estudos. A ProUni (PROGRAMA DE UNIVERSIDADE PARA TODOS), criado em 2005, sistema de benefício para estudantes de baixa renda, liberou no ano de 2010 85.155 bolsas.

São Paulo, 7 de Junho de 2010.